O Conselho Escolar e a aprendizagem na escola  escrito em domingo 13 junho 2010 21:14

camilhos, definir, Discutir, indicar, mediar

Dalva Dias – Pedagoga

/Especialista em Gestão Escolar e Psicopedagogia

 

Este artigo enfoca uma analise sobre questionamentos a respeito do Conselho escolar: Qual a principal função do conselho escola? Como lidar com as diferenças que marcam as pessoas que participam do processo educativo? Que qualidade é própria de uma prática emancipadora? O que avaliar na prática educativa? Como garantir a unidade da prática social da educação? Na prática educativa, quem ensina e quem aprende? Como tornar transparentes as ações da escola? Estes são grandes questionamentos, que geram reflexões e propostas que serão abordadas...

 

A escola como espaço social de transmissão de saberes necessita da existência de espaços de participação, para que seus diversos seguimentos possam exercer a prática democrática. Dentre esses espaços, o CE (Conselho Escolar) se destaca, pois sua participação está ligada, principalmente, à essência do trabalho escolar: o desenvolvimento da prática educativa, em que o processo ensino aprendizagem é seu foco principal. Dessa forma, sua principal função é político pedagógica.

O CE participa da elaboração do Projeto Político pedagógico e acompanha o desenvolvimento das ações da escola, em um permanente processo de acompanhamento e avaliação, com uma finalidade maior: a construção de uma educação democrática e emancipadora. Por isso, sua primeira atividade é a de discutir e definir o tipo de educação a ser desenvolvido na escola, respondendo à pergunta: “Queremos que nossa escola desenvolva uma educação que mantenha a realidade em que vivemos ou uma educação que contribua para a transformação dessa realidade?”

Em suma, a função básica e primordial do CE, como mecanismo de gestão democrática colegiada, é a de conhecer a realidade e indicar caminhos que levem à realidade desejada.

Por isso, o pluralismo e o respeito às diferenças precisam ser analisadas, pois, sabe-se que no interior do processo educativo existem pessoas com necessidades e potencialidades diferentes. Então, pergunta-se: como lidar com as diferenças que marcam essas pessoas, garantindo espaço para seu pleno desenvolvimento no sentido pessoal e social?

Pode-se dizer que lidar com as diferenças não é aceitar as desigualdades sociais, rompendo com a lógica centralizadora que desconsidera a diversidade de opiniões, posturas, aspirações e demandas dos diferentes atores sociais na escola. As relações econômicas e sociais da sociedade com suas contradições são reproduzidas na escola, gerando conflitos inevitáveis, e há uma tendência para camuflá-los, desconsiderá-los ou reduzi-los, o que demonstra desrespeito para com o diferente e desconsideração com o outro.

O Conselho Escolar deve cumprir o papel de mediador desses conflitos e construir entendimentos mínimos, dentro do contraditório social. Deve ser um espaço para escutar a todos e de concretização do debate de opiniões e idéias fundamentais para a percepção dos interesses existentes na escola. Ou seja: o Conselho torna-se a garantia de um ambiente efetivamente democrático na escola, ao respeitar o pluralismo.

Assim, para garantir a unidade da prática escolar exige-se, antes de tudo, o conhecimento de todo o trabalho que se desenvolve na escola, em suas especificidades e na relação que existe entre as partes. Nessa tarefa, o projeto político pedagógico surge como um instrumento eficaz para garantia da unidade do trabalho escolar e, a partir dele, o CE pode acompanhar todo o processo, auxiliando na melhoria da qualidade da educação.

Nesse prisma, o Conselho Escolar deve debater a compreensão de qual é o sentido mais adequado de uma educação emancipadora, ou seja, do sentido de qualidade decorrente do desenvolvimento de relações sociais (políticas, econômicas e culturais) contextualizadas e que, a partir de sua gestão a escola pública seja fortalecida, com a construção de uma relação efetiva entre democratização e qualidade. O ensino de qualidade está intimamente ligado à transformação da realidade e não cabe em “modelos” ou “esquemas”. Numa educação emancipadora, com qualidade socialmente referenciada, a prática educativa inclui a aprendizagem do estudante, mas não se restringe a ela.

Dessa forma, o processo ensino aprendizagem não é compreendido sempre da mesma forma. Mas, se há uma opção por uma educação emancipadora, com qualidade socialmente referenciada, o processo é entendido em sentido duplo, em que todos aprendem e todos ensinam, na construção do conhecimento coletivo. O CE precisa refletir sobre essas posturas no seu trabalho e saber identificar: na prática educativa, quem ensina e quem aprende? Em um processo educativo dialético, todos aprendem e todos ensinam, numa construção coletiva do conhecimento.

A reflexão aqui proposta tenta resgatar a importância do processo educativo como um todo, gerando uma dimensão de avaliação mais completa e próxima do que realmente ocorre na escola. Então, o que avaliar na prática educativa? No acompanhamento co-responsável do desenvolvimento do processo educativo, cabe ao CE identificar os aspectos a serem avaliados e quais os que podem ser considerados adequados ao trabalho desenvolvido. Na  avaliação, o CE deve considerar, além do “produto”expresso nas notas dos estudantes, o “processo” no qual ocorreu essa aprendizagem. Esse processo é revelado nas condições da escola e na ação do professor, entre outros. É preciso ter uma visão global da escola e, nela, situar o desempenho do estudante.

Nesse caso pergunta-se: que dimensões e aspectos podem ser considerados no acompanhamento do processo ensino aprendizagem? Não basta avaliar o desempenho do aluno de forma solta, descontextualizada. Assim, levando-se em conta a função principal do CE de acompanhamento responsável da prática educativa, ele deve identificar outros aspectos a serem contemplados na avaliação como: o contexto social no qual a escola está inserida; as condições da escola para uma aprendizagem relevante; os mecanismos utilizados na gestão democrática da escola; a atuação do professor no processo educativo; e o desempenho escolar dos estudantes.

Outros questionamentos importantes: como tornar transparentes as ações da escola? Como a escola é um equipamento social público, necessita de transparência  em suas ações. Assim, o CE, sempre de forma co-responsável e parceira da direção da escola, deve coletar e analisar uma grande quantidade de dados e informações sobre o processo educativo escolar, de forma que a análise desses dados possa indicar ações a serem desenvolvidas, contribuindo para a construção de uma educação emancipadora para todos. Esses dados e informações recolhidos e analisados pelo CE precisam ser divulgados a toda a comunidade.

 

Compartilhar

Faça um comentário!

(Opcional)

(Opcional)

error

Importante: comentários racistas, insultas, etc. são proibidos nesse site.
Caso um usuário preste queixa, usaremos o seu endereço IP (54.227.67.175) para se identificar     


1 comentário(s)

  • ANDRÉ mailto

    Sex 27 Jun 2014 20:51

    Parabenizo - lhe pela brilhante iniciativa de realizar esta publicação acerca de seus importantes estudos. Entendo que gestão democrática da coisa pública, passa também pelos incentivos aos escritores publicarem seus estudos.


Abrir a barra
Fechar a barra

Precisa estar conectado para enviar uma mensagem para pedagogia

Precisa estar conectado para adicionar pedagogia para os seus amigos

 
Criar um blog